05
DEZ
2016

Solenidade da Imaculada Conceição

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Solenidade da Imaculada Conceição (Lc 1,26-38)
Tu és toda bela… Não tens uma só mancha! (Ct 4,7)

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Por: Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ

A Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria não é um parêntesis festivo no tempo do Advento, pois hoje celebramos o momento mais alto de toda a preparação do Antigo Testamento que ansiava pela vinda do Messias. No momento em que Maria foi concebida, deu-se início à última etapa de preparação do grande advento da História da Salvação. Maria não é apenas alguém que se preparou para a chegada do Messias, mas ela mesma foi preparada pelo próprio “Deus que enviou o seu Filho, na plenitude dos tempos, nascido de uma mulher… a fim de que recebêssemos a adoção filial (Gl 4,4-5). Em Maria, encontramos o modelo perfeito de preparação, pois ela viu acontecer o que esperava; é nela que em primeiro lugar se realiza o que “muitos desejaram ver e não viram, desejaram ouvir e não ouviram” (Lc 10,24).
A proclamação do Dogma da Imaculada Conceição evidencia essa verdade: “A Beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus todo-poderoso e em vista dos méritos de Jesus Cristo Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original” (Bula Innefabilis Deus). Portanto, a Encarnação do Verbo é o fundamento da concepção imaculada de sua Mãe. Sem a Encarnação, Maria seria certamente mais uma mulher na terra, talvez mãe, mas não seria a Imaculada Conceição, “a toda bela, sem uma só mancha” (Ct 4,7).

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Afirmar que Maria é sem pecado desde a sua concepção é consequência do reconhecimento de que o Filho que dela nasceu é Santo, Filho do Altíssimo; é acreditar que “para Deus nada é impossível”. Se para o Antigo Testamento nenhum homem com algum tipo de mácula (hebraico m’ûm: mancha no sentido físico e moral, isto é, defeito ou pecado) não poderia ser sacerdote (Lv 21,17.18.21.23), nenhum animal que tivesse alguma mácula ou mancha não podia ser sacrificado a Deus (Lv 22,20-21; Nm 19,2; Dt 17,1), como poderia a Filha predileta do Pai: (“Encontraste graça diante de Deus”), a Mãe do Filho do Altíssimo (“Eis que conceberás e darás à luz um filho: Jesus”), a Esposa do Espírito Santo (“O Espírito virá sobre ti…”) ter sua alma e seu corpo manchados pelo pecado?!!! Maria não foi simplesmente agraciada com um dom especial, mas ela é a plena de graça (grego kecharitoméne: um particípio perfeito passivo que indica uma ação no passado com consequências que se prolongam até o presente; portanto, Maria tinha sido já cumulada da graça de Deus – charis, o dom da salvação –, por isso a afirmação dogmática de que ela foi redimida pelo Filho no momento em que foi concebida; tudo nela aconteceu em previsão dos méritos de Cristo).
Enraizada na revelação bíblica, celebrada na liturgia ao longo dos séculos e confirmada oficialmente pela Igreja como verdade de fé (Pio IX, 8.12.1854), a Imaculada Conceição de Maria é prova irrefutável de que o Senhor Deus cumpre suas promessas: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). À velha Eva é dada uma esperança: da sua descendência surgirá o vencedor da astuta serpente; em Maria, a nova Eva, a promessa se realizará: “Não temas… Eis que conceberás e darás à luz um filho”. Eva se tornou a mãe dos viventes maculados pelo seu pecado, a nova Eva será a Mãe do Vivente (um dos títulos dado a Jesus no Ap 1,18) que tira todo o pecado do mundo e dá a vida plena àqueles que o recebem, pois tornam-se filhos de Deus (Jo 1,12).

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Dialogando com a serpente, Eva aprendeu a desobediência à Palavra de Deus, no diálogo com o anjo Gabriel, Maria faz sua a vontade de Deus, e testemunha a sua fiel e absoluta obediência ao declarar: “Eis aqui a serva do Senhor, faça em mim segundo a tua palavra”. Por causa de sua desobediência, Adão e Eva foram expulsos do paraíso, privados da presença de Deus e castigados pelo seu pecado. Com o sim da nova Eva, o paraíso desceu à terra e se instalou no seu seio, onde aconteceu o grande encontro de Deus com a humanidade e com a sua criação. Se no antigo Éden o ser humano procurou esconder-se de Deus por causa da vergonha do seu pecado, no novo paraíso, o seio da Virgem de Nazaré, Deus refez a sua amizade com toda a humanidade. Se o casal desobediente foi privado de comer da árvore da vida, a nova Eva, isenta de pecado, acolheu no seio o alimento eterno, o pão descido do céu, aquele que dará a sua própria carne e sangue para vida do mundo (Jo 6,51s).
Reconhecer que Maria é imaculada desde a sua conceição é crer que, verdadeiramente, o Altíssimo faz grandes coisas, é proclamar as maravilhas da infinita misericórdia de Deus que não abandonou o homem pecador, mas veio ao seu encontro para torná-lo santo e irrepreensível (2ª leitura), através da adoção filial por intermédio do seu Filho Jesus Cristo, nascido de uma mulher escolhida, predestinada a ser, para o louvor de sua glória a testemunha daquilo que todos devemos ser: santos e imaculados. Por isso nosso constante pedido: Oh Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a vós!

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Pe. André Vital Félix da Silva, SCJ.
Mestre em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana.
Professor nos Seminários de Campina Grande-PB, Caruaru-PE e João Pessoa-PB.
Membro da Comissão Teológica Dehoniana Continental – América Latina (CTDC-AL)

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