02
MAR
2017

Quaresma:

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Início da Celebração do evento central do cristianismo

De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno
Por: Pe. Izaú Cavalcante SCJ*

Estas palavras, retiradas do prefácio da quaresma I, condensam o significado deste tempo litúrgico. Entenderemos melhor o significado deste tempo da quaresma se partirmos do mistério pascal. A quaresma é de fato o início da celebração do evento central do cristianismo: morte e ressurreição de Cristo. Somente tendo consciência da meta do caminho é que se entenderá o caminho a percorrer.

Este período de quarenta dias de penitencia propostos pela igreja, decorrem, em primeiro lugar, dos quarentas dias que Jesus passou no deserto, antes de iniciar sua pregação (cf Lc 4,1-2; Mc 4,1-2; Mt 4,1-2). Outros eventos bíblicos inspiram este itinerário quaresmal, tais como: Gn 7,12: a espera de Noé; Ex 24,18: Moisés permanece no monte Sinai; Nm 14,33: quarenta anos no deserto esperando entrar na terra prometida (Cf. Dt 29,4); 1Sm 17,16: Golias desafia Israel por quarenta dias;1Re 19,8: Elias sustentado pelo pão do céu. O numero quarenta é associado às situações de espera, prova, humilhação, indigência, luta. No fim Deus intervém para superar estas situações.

Anualmente somos convidados a vivenciar este momento forte de renovação interior. Os meios eficazes para atingir esta novidade são: Jejum, oração e caridade. A igreja se inspira nas palavras de Jesus (Cf. Mt 6, 2.5.16) que nos orienta a alcançar uma vida cristã autêntica. Por meio do jejum aprendemos a conter toda realidade que obscurece nossa vida de intimidade com Deus (purifica o coração). O jejum exprime a capacidade de se dominar e colocar a própria vida ao dispor de Deus; por meio de uma intimidade divina nós crescemos na comunhão (entregues à oração); fortalecidos na fraternidade seremos capazes de criar uma harmoniosa convivência com o próximo (prática do amor fraterno).

A quaresma é uma das seções mais antigas do ano litúrgico (IV século). Nos primórdios se limitava a um jejum feito nos dois dias precedentes ao dia da páscoa. Os cristãos viviam intensamente o compromisso de fé até o martírio. Assim sendo, não se sentia a necessidade de um período para renovar sua conversão já realizada no batismo. Com a oficialização do cristianismo como religião do império romano, pelo imperador Teodósio (+395), houve uma migração em massa de pessoas vindas de vários povos e culturas para o cristianismo. Sente-se a necessidade de instruir estes novos cristãos para vivenciar melhor o mistério do batismo. A quaresma surge no contexto de conversão do paganismo ao cristianismo. Este fato já nos ilumina para perceber a importância deste tempo. É o tempo do redimensionamento, da mudança, da reorientação do nosso pensar e agir. Nos propõe seguir o caminho de fé e conversão a Cristo que se faz servo obediente ao Pai até a morte. Nos leva para uma maior atenção e prolongada escuta da palavra de Deus.

Esta caminhada deve ser vivida não como um peso e tristeza, mas como expressa o prefacio da quaresma I: “Vós concedei aos cristãos esperar com alegria, cada ano, a festa da Páscoa. De coração purificado, entregues à oração e à prática do amor fraterno, preparamo-nos para celebrar os mistérios pascais, que nos deram vida nova e nos tornaram filhas e filhos vossos. ”

Francisco Izaú Cavalcante SCJ. Mestre em Teologia Dogmática pela Gregoriana.

*Professor da FAFICA – Faculdade de Filosofia de Caruaru-PE .
Professor do Instituto de Teologia e Filosofia da Diocese de Campina Grande-PB.
Vigário Paroquial na Paróquia de São Pio X, em Camaragibe-PE.

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