08
NOV
2017

XXXII Domingo Tempo Comum

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XXXII Domingo Tempo Comum
(Mt 25,1-13)
Se há óleo suficiente, um cochilo não faz mal!

Por: Dom André Vital Félix da Silva, SCJ

Estamos nos aproximando da conclusão do Ano Litúrgico, por isso o tema da vigilância relacionado à espera da vinda definitiva do Senhor ganha realce nesses últimos domingos. Contudo, a espera vigilante, um tema muito presente em toda a Tradição Bíblica, não significa postura inoperante e acomodada, mas pelo contrário, exige atitudes que testemunhem fidelidade e empenho, cujo fundamento está na certeza da presença permanente do Senhor, que não é um ausente, mas Aquele que quis ser chamado Emanuel, “Deus conosco” (Mt 1,23), e prometeu estar sempre com os seus até a consumação dos séculos (Mt 28,20). A insistência pedagógica: “Portanto, ficai vigiando, pois não sabeis qual será o dia nem a hora”, não pretende criar terrorismo ou pavor para aprisionar as pessoas num medo que as paralisa criando apenas uma expectativa fatalista da conclusão pontual da sua vida, mas pelo contrário, evidencia a certeza de que a meta última da existência é a plenitude de vida, pois todos são chamados a tomar parte nas Bodas Eternas; o fato de não se saber nem o dia e nem a hora, torna o coração do ser humano mais livre, pois impede-lhe de antecipar o fim do amanhã, já que a missão se realiza no hoje.
A espera vigilante não tira a liberdade da vida, mas dá sentido e direção à existência. O cristão não é um forasteiro que se aventura por sendas desconhecidas, nem mesmo um deserdado que não sabe onde está, mas um caminhante que conhece não apenas uma estrada, mas deixa-se guiar por Aquele que é o próprio caminho, pois é a verdadeira luz. A esperança cristã não proporciona vácuos ao longo da estrada, mas preenche de alegria e certeza todo o percurso, pois não se anseia o inesperado, nem muito menos se aguarda o calculado, mas se acolhe o dom oferecido.

A parábola desse domingo, As Dez Jovens, mais do que enfatizar o fim como simples recompensa ou condenação, chama-nos a atenção para a nossa responsabilidade intransferível diante do dom da vida que é presente oferecido gratuitamente, mas ao mesmo tempo, convite a cuidar dele com solicitude, fidelidade e amor.

Se não considerarmos com atenção o desenrolar da parábola, poderemos concluir apressadamente que o motivo de as cinco virgens imprevidentes não entrarem na sala do banquete foi o fato de não terem as suas lâmpadas acesas. O conselho das outras cinco poderia supor a possibilidade de, mesmo chegando atrasadas, as outras poderem ser admitidas às Bodas: “É melhor irdes comprar dos vendedores”. Contudo, a conclusão da parábola não diz isso, pois a afirmação do noivo é: “Em verdade eu vos digo: não vos conheço!” Eis, portanto, a razão principal de não poderem ser admitidas à festa: o noivo não as conhece.

A garantia para entrar na sala não estava no simples fato de ter lâmpadas acesas, mas de terem acompanhado a noiva que aguardava a chegada do seu esposo. Além de dar um caráter festivo e solene ao cortejo nupcial levando as suas lâmpadas acesas, as jovens que acompanham a amiga esposa tinham o privilégio de conhecer o noivo, e de serem conhecidas por ele, o que garantiria serem admitas à festa.

Ter as lâmpadas acesas, sinal de prontidão não garante ainda a entrada na festa. Acompanhar a noiva e, sobretudo, quando esta se encontra com o seu esposo, é a condição indispensável para poder entrar e participar do banquete. Não é estar à porta da casa do noivo com lâmpadas acesas que dá direito à festa. Mas fazer o caminho com ele, isto é, manter a lâmpada acesa por todo o percurso. Esse percurso iluminado não era apenas para lançar luz sobre uma estrada por onde se devia passar, mas cada lâmpada levada individualmente lançava luz também no próprio rosto de quem a levava, dando assim oportunidade ao noivo de reconhecer, em seguida, a cada uma das jovens que, de verdade, tinham percorrido o caminho, pois o Noivo as conhece, enquanto caminham juntos.

O tema da luz na Sagrada Escritura está muito relacionado ao conhecimento de Deus, da sua vontade, e ao compromisso de viver a sua Palavra. Portanto, ter lâmpadas apagadas significa indiferença em relação a essa Palavra, o que torna incapaz de caminhar, pois ela é luz que indica o caminho. Consequentemente, abandona-se o caminho em direção ao Noivo, para tomar um outro em direção aos vendedores, impedindo assim de as jovens desatentas serem conhecidas pelo noivo no momento da festa.

Ainda que se cochile enquanto se espera, não se pode descuidar da responsabilidade pessoal, intransferível, de manter as lâmpadas acesas, pois são elas que ajudam a ver a estrada por onde caminhar, iluminado também os rostos a fim de que o Noivo os conheça e reconheça para os admitir à sua festa.

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